STCP Serviços muda nome para MobT Porto e vai “atuar no estacionamento abusivo”

A empresa, subsidiária da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto, pretende mudar o nome para se distinguir da empresa-mãe, responsável pela rede de autocarros e elétricos.

Maio 25, 2026

A STCP Serviços, empresa que atualmente gere terminais intermodais e parques de estacionamento no Porto, vai alargar as suas competências para “atuar no estacionamento abusivo” e passar a chamar-se MobT Porto, consultou hoje a Lusa.

“Brevemente a empresa passará a realizar fiscalização para lá do âmbito do cumprimento ou não do pagamento de estacionamento em Zonas de Estacionamento de Duração Limitada, passando a atuar no estacionamento abusivo fora destas zonas, área com forte impacto junto da população”, pode ler-se nos documentos do concurso para elaboração da nova identidade visual da empresa, no valor de 30.000 euros, mas que pode ir até aos 65.000 em caso de assistência técnica, dando ainda prémios de 2.000 euros aos segundos e terceiros classificados.

A empresa, subsidiária da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), atualmente gere e explora quatro terminais e interfaces (incluindo o de Campanhã), 14 parques de estacionamento, três ligações mecanizadas e cerca de 13.000 lugares de estacionamento de rua na cidade do Porto e pretende mudar o nome para se distinguir da empresa-mãe, responsável pela rede de autocarros e elétricos.

Nos mesmos documentos que fazem parte do concurso, cujas propostas podem ser submetidas até 05 de junho, dá-se também conta que a empresa se passará a designar MobT Porto.

“Para além de ter sido a mais votada entre os nomes finais, a designação MobT Porto (“Mob” de mobilidade + “T” que remete para transportes) evidenciou uma adequação estratégica, criativa, técnica e linguística, ao condensar de forma sintética e contemporânea a ideia de mobilidade integrada associada ao território e aos transportes do Porto, sem se limitar a uma descrição literal da atividade”, segundo o “briefing” para criação da identidade visual da nova designação.

O processo contou com uma sessão de “brainstorming” dirigida pelo professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e especialista em comunicação Vasco Ribeiro (ex-diretor de comunicação da campanha autárquica de Pedro Duarte e ex-chefe de Gabinete do ex-presidente da Câmara Rui Moreira) e por Bárbara Sobrado, da STCP Serviços, no âmbito de um contrato de 11.500 euros assinado com a FLUP, tendo contado ainda com o vereador com o pelouro da Mobilidade da autarquia, Hugo Beirão, os administradores da empresa, Cátia Meirinhos e André Brochado, e mais de uma dezena especialistas em comunicação e mobilidade com presença no setor público e privado.

Num comentário após um “trabalho exploratório junto de um conjunto de quadros-chave da STCP Serviços”, um dos responsáveis dá conta que a empresa “vai retirar alguns privilégios, impor regras, fiscalizar e alterar hábitos profundamente enraizados”, algo que “só é possível com uma identidade clara, uma comunicação forte e uma estratégia capaz de explicar à população o motivo das mudanças”.

“Criar uma governação integrada da mobilidade urbana, superando a lógica de projetos isolados e fragmentados que marcaram a cidade do Porto nos últimos anos” ou “articular os complementos da mobilidade na cidade do Porto, ligando elementos que hoje estão dispersos e não integrados entre si” são alguns dos desígnios elencados e citados nos documentos.

O público alvo da atuação da nova marca e empresa é heterogéneo, pois se, “por um lado, emergem segmentos mais jovens, mais permeáveis a soluções sustentáveis e disponíveis para adotar alternativas ao automóvel, desde que estas sejam eficazes e convenientes”, por outro “persistem perfis mais envelhecidos, fortemente ancorados em hábitos consolidados de mobilidade individual, cuja transformação dependerá menos de discurso e mais da criação de condições reais, credíveis e consistentes”.

“A personalidade da marca assenta numa combinação exigente entre autoridade e utilidade pública”, pode ainda ler-se nos documentos.

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