Torreense é o primeiro “secundário” a conquistar a Taça de Portugal

Torreense estreia-se na UEFA e antecipa entrada do Benfica.

Maio 25, 2026

O Torrense tornou-se o primeiro clube abaixo da divisão principal a conquistar a Taça de Portugal de futebol, após seis derrotas de representantes secundários, ao vencer na final o Sporting, por 2-1, após prolongamento.

Na 86.ª edição da prova, uma grande penalidade convertida por Stopira, aos 113 minutos, garantiu o triunfo histórico da formação orientada por Luís Tralhão, e um lugar na próxima edição da Liga Europa, depois do empate 1-1 no tempo regulamentar, ditada pelos tentos de Kevin Zohi, aos quatro minutos, para os “azuis grená”, e Luis Suárez, aos 54 para os “leões”, que procuravam o 19.º troféu.

A meio do play-off de acesso ao primeiro escalão, iniciado na quarta-feira com um empate na receção ao primodivisionário Casa Pia (0-0), a equipa de Torres Vedras disputou a decisão da prova “rainha” pela segunda vez, depois de na época 1955/56 ter sido derrotado por 2-0 pelo FC Porto, também no Estádio Nacional, em Oeiras.

Há 70 anos, o Torreense tornou-se finalista da Taça de Portugal em plena época de estreia no primeiro escalão, estatuto que deteve por mais cinco vezes, a última das quais em 1991/92, e que almeja recuperar depois da vitória histórica sobre o Sporting, segundo classificado da I Liga, ao ficar atrás do novo campeão nacional FC Porto, falhando a conquista do tricampeonato.

Os “leões” fecham o pódio do palmarés da Taça, ao acumularem 18 êxitos – não juntam troféus consecutivos desde 2007/08 -, contra 20 do FC Porto, segundo clube mais titulado e derrotado a duas mãos nas “meias” precisamente pela formação “verde e branca”, e 26 do recordista Benfica.

Até à 85.ª final, os três “grandes” tinham triunfado sempre quando enfrentaram adversários de escalões inferiores na final da segunda prova mais importante do futebol luso, havendo três vitórias do Benfica, uma do FC Porto, e uma do Sporting, derrotado hoje.

Nesse histórico, os “leões” enfrentaram a única equipa do terceiro patamar que se tornou finalista em 86 edições da Taça de Portugal, com um golo do brasileiro Mário Jardel a bastar para derrotar o Leixões (1-0) em 2001/02.

Apesar desse desaire e de terem falhado posteriormente a subida à II Liga, os matosinhenses foram às competições europeias na temporada seguinte, enquanto o Sporting quebrou um interregno de sete anos sem conquistas na Taça e comemorou a “dobradinha”, tal como fez o Benfica em 1942/43.

Na primeira decisão da Taça de Portugal sem ser exclusivamente discutida entre primodivisionários, os “encarnados” golearam o Vitória de Setúbal (5-1), ao marcarem por Rogério Pipi, Manuel da Costa, Julinho, autor de um “bis”, e Armindo, na própria baliza – Amador fez o único tento dos sadinos.

O Vitória de Setúbal tinha ultrapassado o FC Porto nas “meias”, com um triunfo por 7-0, e pertencia à segunda divisão em 1942/43, mas atuaria na elite na época seguinte, quando, de novo no Campo das Salésias, em Lisboa, o “secundário” Estoril Praia foi derrotado na final pelo Benfica (8-0).

Rogério Pipi, com cinco golos, Julinho e Arsénio ditaram o resultado mais desnivelado de sempre em jogos decisivos da Taça de Portugal, apesar de os cascalenses até terem afastado o FC Porto a duas mãos nos “quartos” e subido ao escalão principal como campeões do segundo patamar.

O Benfica voltou a erguer o troféu na terceira final entre representantes de diferentes divisões, ao superiorizar-se em 1961/62 ao Vitória de Setúbal (3-0), com golos de Eusébio, por duas vezes, e Domiciano Cavém, num duelo realizado no Estádio Nacional e que antecedeu a promoção sadina à elite.

Na baliza do Vitória de Setúbal estava o já falecido Mourinho Félix, pai de José Mourinho, atual treinador das “águias” e potencialmente de regresso aos espanhóis do Real Madrid depois da sua segunda passagem pela Luz.

O Benfica não tinha revalidado o título de campeão nacional em 1943/44 e 1961/62, a exemplo do FC Porto em 2009/10, temporada culminada pelos “dragões” com uma vitória sobre o Desportivo de Chaves (2-1), em Oeiras.

Os colombianos Fredy Guarín e Radamel Falcao nortearam o segundo de três êxitos sucessivos “azuis e brancos”, tendo o suplente Paulo Clemente concretizado a favor dos flavienses, vindos da descida ao terceiro escalão.

Já em 1989/90, nenhum dos “grandes” atingiu os “quartos” e a Taça voltou a ser decidida por clubes de diferentes patamares, com o primodivisionário Estrela da Amadora a ganhar ao Farense, promovido do segundo escalão.

Volvido um empate no primeiro jogo (1-1, após prolongamento), o conjunto da Reboleira superiorizou-se no reencontro com os algarvios no Estádio Nacional (2-0) e arrebatou um inédito troféu, valendo-se dos remates certeiros de Paulo Bento, futuro selecionador português, e Ricardo Lopes.

Vitória de Setúbal, Estoril Praia, Farense, Leixões e Desportivo de Chaves ultrapassaram sempre emblemas do escalão principal nas edições em que representaram divisões inferiores na final da Taça de Portugal, à imagem do Torreense, vitorioso nos “oitavos” perante o Casa Pia em Rio Maior, cidade onde terminará a época com a segunda mão do play-off da I Liga, na quinta-feira.

Torreense estreia-se na UEFA e antecipa entrada do Benfica

O Torreense vai disputar a fase de liga da Liga Europa de futebol, na sua estreia nas competições europeias, após conquistar a edição 2025/26 da Taça de Portugal, e obrigar o Benfica a antecipar a entrada em competição.

Após tornar-se a primeira equipa do segundo escalão a vencer a “prova rainha” em Portugal, com o triunfo sobre o Sporting na final disputada no Estádio Nacional, por 2-1, após prolongamento, a formação de Torres Vedras vai disputar a segunda prova de clubes da hierarquia da UEFA.

Se perder o play-off de acesso à I Liga portuguesa de futebol com o Casa Pia, cuja segunda e decisiva mão se realiza na quinta-feira, o Torreense protagonizará a 14.ª ocasião em que um conjunto de um escalão secundário disputa uma competição da UEFA, repetindo os feitos do Beira-Mar, em 1999/00, e do Leixões, em 2002/03.

A par do FC Porto, campeão da I Liga portuguesa, e do Sporting, segundo classificado, a equipa treinada por Luís Tralhão vai entrar diretamente na fase de liga de uma competição europeia, enquanto o Benfica, terceiro, vai disputar a segunda pré-eliminatória da Liga Europa, a partir de 23 de julho.

Os “encarnados”, que garantiriam uma presença direta na fase de liga caso o rival leonino vencesse a Taça de Portugal, vão disputar a segunda competição de clubes da hierarquia da UEFA após 16 temporadas consecutivas a participarem na Liga dos Campeões.

Após 11 épocas seguidas a disputar a Liga Europa, o Sporting de Braga também entra em competição para 23 de julho, mas para disputar a segunda pré-eliminatória da Liga Conferência, terceira prova de clubes da UEFA, na qual se vai estrear.

Quarta classificada da mais recente edição da I Liga, a formação bracarense iria disputar a segunda pré-eliminatória da Liga Europa caso o Sporting conquistasse a “prova rainha”.

Já o Famalicão, que precisava de um triunfo leonino hoje para disputar a segunda pré-eliminatória da Liga Conferência, perde a hipótese de se estrear nas competições da UEFA, após ter realizado o melhor campeonato da sua história, que lhe valeu a quinta posição.

Apesar de falhar a conquista da 19.ª Taça de Portugal, o conjunto de Alvalade garantiu a presença na fase de liga da próxima edição da Liga dos Campeões hoje, já com a final em curso, após o Aston Villa, vencedor da Liga Europa, derrotar o Manchester City (2-1) e garantir a quarta posição na I Liga inglesa.

Como o emblema de Birmingham garantiu a presença na próxima “Champions” através da “Premier League” e da Liga Europa, a vaga correspondente à Liga Europa passou para a equipa em lugar de acesso à pré-eliminatória com coeficiente mais elevado no ranking da UEFA, no caso o Sporting, com 79.500 pontos.

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