Trabalhadores de escolas de Gaia em greve concentram-se na Câmara na quinta-feira

Os trabalhadores das escolas públicas de Gaia vão concentrar-se em frente à câmara na quinta-feira, dia em que iniciam uma greve até final da próxima semana.

Abril 1, 2026

Os trabalhadores das escolas públicas de Gaia vão concentrar-se em frente à câmara na quinta-feira, dia em que iniciam uma greve até final da próxima semana, protestando contra a cedência de operacionais às IPSS durante as pausas letivas.

De acordo com um comunicado enviado esta quarta-feira à agência Lusa, “o STFPSN — Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte convocou uma greve dos trabalhadores não docentes das escolas de Vila Nova de Gaia entre os dias 02 [sexta-feira] e 10 de abril, em protesto contra o incumprimento de compromissos por parte da Câmara Municipal”.

No âmbito da greve, o STFPSN vai promover uma concentração de trabalhadores na quinta-feira, pelas 10h30, em frente à Câmara de Gaia, “com o objetivo de exigir o cumprimento dos compromissos e o respeito pelos trabalhadores das escolas”.

“Em causa está a continuidade da cedência de trabalhadores das escolas às IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] no âmbito do projeto “Gaia Aprende+”, contrariando o compromisso assumido em janeiro pelo vice-presidente da autarquia [Firmino Pereira], responsável pelo pelouro da Educação, que havia reconhecido problemas no modelo em vigor e manifestado a intenção de o corrigir”, refere o sindicato.

Segundo o STFPSN, “apesar de se ter comprometido a reunir novamente com o sindicato para dar conta da evolução do processo, a autarquia não respondeu aos sucessivos pedidos de reunião apresentados (…) ao longo do mês de março, tendo apenas enviado aos trabalhadores as escalas de serviço até ao final do ano civil”.

“Esta situação representa uma falta de respeito institucional e um desrespeito pelos direitos dos trabalhadores, que continuam a ser utilizados ao serviço de entidades externas, sem salvaguarda dos compromissos assumidos”, considera o sindicato.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Câmara de Gaia referiu que “não chegou nenhum pedido de reunião ao presidente [Luís Filipe Menezes] nem ao vice-presidente”.

“Apesar desses problemas serem da responsabilidade do anterior executivo, o atual executivo tudo fará para os resolver no futuro”, acrescentou a mesma fonte.

Os assistentes operacionais das escolas de Gaia já estiveram em greve entre 19 de dezembro e 02 de janeiro pelos mesmos motivos.

No início da greve, o coordenador do sindicato, Orlando Gonçalves, explicou que o que está em causa é o facto de “cerca de 1.200 assistentes operacionais, assim que ocorrem as interrupções letivas, serem obrigados pelo município a irem trabalhar para IPSS no concelho, cumprindo horários e ordens determinadas pelos respetivos diretores”.

No final dessa greve, em 02 de janeiro, o mesmo responsável acusou a autarquia de “falta de respeito” para com aqueles trabalhadores e avisou que os protestos contra a “cedência pouco democrática” a instituições durante interrupções letivas iriam continuar.

“Esta é uma questão que não é de agora, vem do executivo anterior. Já tentámos reunir com o novo executivo, mas nem sequer uma resposta ao nosso pedido de reunião tivemos. Há uma total falta de diálogo connosco e depois assistimos a alguns responsáveis a falarem desta questão nas redes sociais”, afirmou o sindicalista no início do ano.

O programa municipal em causa é articulado com as entidades da deficiência e com os agrupamentos de escolas do concelho de Gaia, e integra a dinamização de programas de ocupação dos tempos livres nas interrupções letivas semestrais, do Natal, da Páscoa e férias escolares.

Partilhar

Pub

Outras notícias