Acampamento na praça ocupava indevidamente o espaço público – Câmara do Porto

As autoridades policiais retiraram hoje de manhã as tendas montadas da Praça D. João I, no centro da cidade, desde sábado no âmbito de um protesto contra o aumento do custo de vida e o preço da habitação.

Outubro 12, 2026

A Câmara Municipal do Porto indicou hoje que o acampamento em protesto contra os preços da habitação que decorria na Praça D. João I estava a ocupar indevidamente o espaço público, razão pela qual foi retirado pelas autoridades.

Em comunicado, a autarquia presidida por Pedro Duarte (PSD/CDS/IL) indica que “a ocupação da Praça D. João I através da instalação de um acampamento foi avaliada pelas entidades competentes e forças de segurança, a quem cabe atuar em conformidade com a lei, não permitindo a ocupação ilegal e degradação do espaço público”.

“Nesse sentido, na manhã de hoje, deu-se início a uma ação conjunta entre a PSP, a Polícia Municipal e a Porto Ambiente [empresa municipal], para remover os objetos que ocupavam indevidamente o espaço público da Praça D. João I”, justifica a autarquia.

Reforçando que “pauta a sua atividade pelo estrito cumprimento da lei e respeita o direito à manifestação”, a Câmara do Porto sublinha, no entanto, que “considera essencial que a utilização do espaço público decorra dentro do disposto na legislação em vigor e salvaguarde as condições de segurança, circulação e usufruto por todos os cidadãos”.

As autoridades policiais retiraram hoje de manhã as tendas montadas da Praça D. João I, no centro da cidade, desde sábado no âmbito de um protesto contra o aumento do custo de vida e o preço da habitação.

À Lusa, um dos representantes do movimento “Não consegues pagar renda? Traz tenda”, João Silveira, disse que a polícia chegou por volta das 06:30 e as tendas começaram a ser retiradas “pacificamente” às 08:00.

Entretanto, cerca das 10:30, o grupo iniciou uma assembleia para “acertar a continuação da luta”.

“Retiraram as tendas, mas nós vamos continuar aqui, de forma pacífica e ordeira, como estivemos até agora. Vamos reunir agora em assembleia para preparar uma grande assembleia na quarta-feira, com a presença de movimentos, partidos e de quem se quiser associar a esta nossa luta”, explicou à Lusa João Silveira.

A cerca de 20 metros do grupo mantêm-se cerca de 10 elementos da PSP que, desde manhã, tem vigiado a manifestação e o levantamento do acampamento.

Depois do levantamento das tendas, os serviços da autarquia procederam à limpeza da praça, com água: “A praça nunca tinha estado tão limpa como nestes dias porque nós tínhamos as nossas brigadas de limpeza”, afirmou João Silveira.

Num dos cantos da praça estavam ainda pelas 11:00 amontoados alguns dos pertences dos manifestantes, que esperavam por carros para levarem as coisas para “um local seguro ou para casa”.

Durante os dois dias que estiveram acampados, descreveu João Silveira, o ambiente foi “bom e pacífico”, sem se ter registado qualquer momento de tensão.

No sábado, cerca de 1.500 pessoas manifestaram-se no Porto em protesto contra o aumento do custo de vida e da habitação.

A concentração foi organizada pela plataforma “Não dá mais para viver assim”, que promoveu protestos também em cidades como Aveiro, Braga e Lisboa.

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