O governante falava aos jornalistas em Aveiro, à margem da cerimónia de arranque da obra do primeiro troço da Linha de Alta Velocidade Porto — Oiã, onde assegurou que vai ouvir o autarca de Gaia e que, “a seu tempo”, terá oportunidade de falar sobre o assunto.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou hoje que vai ouvir o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, que se pronunciou contra a estação do TGV em Santo Ovídio, e que depois tomará decisões.
“Eu ouvi as suas declarações públicas, vi a sua preocupação (…). Claro que os munícipes sofrem. Em todas estas obras sofrem, em todas estas obras desta magnitude. Portanto, nós – Infraestruturas de Portugal e Governo – temos a obrigação de ouvir. Vamos ouvir e depois tomaremos decisões”, afirmou hoje Miguel Pinto Luz.
O governante falava aos jornalistas em Aveiro, à margem da cerimónia de arranque da obra do primeiro troço da Linha de Alta Velocidade Porto — Oiã, onde assegurou que vai ouvir o autarca de Gaia e que, “a seu tempo”, terá oportunidade de falar sobre o assunto.
Na sexta-feira, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia voltou a rejeitar a construção de uma estação da linha ferroviária de alta velocidade em Santo Ovídio e exigiu que seja avaliada a alternativa na zona de Mafamude e Vilar do Paraíso.
Citado em comunicado, Luís Filipe Menezes alertou para aquilo que considerou ser uma “enorme gravidade potencial dos impactos” de, pelo menos, cinco anos de constrangimentos na mobilidade, da circulação diária de cerca de 200 camiões para movimentação de um volume excecional de terras, “com risco de prejuízos muito graves para o comércio local, além das dificuldades de acesso ao Hospital de Gaia através da Rua Conceição Fernandes”.
Assim, para a câmara de Gaia, “não é aceitável” que o projeto avance com a localização da estação em Santo Ovídio sem responder às objeções apresentadas e sem avaliar devidamente uma alternativa que permita reduzir os impactos.
No comunicado, Luís Filipe Menezes defendeu que “ainda há tempo de transferir a estação para um sítio onde não é preciso desenterrar nada, um sítio plano, onde a cidade pode crescer com qualidade para sul, na zona de Mafamude e Vilar do Paraíso”.
No domingo, o Governo reafirmou, em comunicado, a estação em Santo Ovídio.
Este primeiro troço Porto-Oiã é construído pelo consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto).
O contrato de concessão do troço Porto-Oiã, que terá um custo a rondar os dois mil milhões de euros, foi assinado em 29 de julho de 2025 e beneficia de 875 milhões de euros de financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI) e de 480 milhões de euros do Mecanismo Interligar a Europa (“Connecting Europe Facility” 2).
A localização da estação de Santo Ovídio foi conhecida em setembro de 2022, e o estudo de impacte ambiental (EIA) apresentado em maio de 2023 foi aprovado, com declaração favorável condicionada em agosto desse ano.
A estação subterrânea (60 metros) conta também com um plano de urbanização encomendado ao arquiteto e urbanista catalão Joan Busquets, incluindo a transformação da Rotunda de Santo Ovídio numa praça, com zona para tomada e largada de passageiros para o comboio e Metro do Porto.
A Infraestruturas de Portugal (IP) salientava então a criação de um “polo intermodal de transportes”, e em 2024 apresentou o Plano de Pormenor de Santo Ovídio, sendo depois o projeto adjudicado ao consórcio LusoLav.
Em abril de 2025, o consórcio quis mudar a localização da estação para Vilar do Paraíso, sem o conhecimento oficial do Governo e da IP, num local por cima de uma ribeira em zona de Reserva Ecológica Nacional e sem ligação direta à linha Amarela do Metro.
As alterações acabaram chumbadas pela Agência Portuguesa do Ambiente em dezembro do ano passado, e em janeiro deste ano o ministro das Infraestruturas e Habitação considerou esta decisão “soberana”, e o consórcio voltou ao projeto original.
A linha deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, e Porto a Vigo (via aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença) em 50 minutos, em 2032.