CDU/Porto alerta que frequência do metrobus “altera substancialmente o nível de serviço prometido”

A frequência de passagem do metrobus do Porto, estimada em cinco minutos quando o projeto foi anunciado em 2021, será afinal de 10 minutos nas horas de ponta, segundo a Metro do Porto.

Março 2, 2026

A CDU/Porto alertou esta segunda-feira que a frequência de passagem do metrobus, de 10 minutos à hora de ponta e 15 fora, “altera substancialmente o nível de serviço prometido”, de cinco minutos, considerando que tal “compromete a atratividade do sistema”.

“A frequência é um elemento central de qualquer sistema de transporte coletivo. Foi com base na promessa de passagens de cinco em cinco minutos que o projecto foi apresentado como solução estruturante e alternativa competitiva ao automóvel. A redução agora conhecida altera substancialmente o nível de serviço prometido e é mais um elemento que compromete a atratividade do sistema”, pode ler-se num comunicado enviado esta segunda-feira às redações.

A frequência de passagem do metrobus do Porto, estimada em cinco minutos quando o projeto foi anunciado em 2021, será afinal de 10 minutos nas horas de ponta, segundo a Metro do Porto.

Para a CDU, tal “não se trata de um detalhe técnico”, mas sim de “credibilidade e respeito pelos munícipes e pelos utentes”.

Observando que “no projeto do metrobus, o que é anunciado raramente corresponde ao que é concretizado”, “primeiro foram anunciadas determinadas características de serviço, depois ajustaram-se prazos, agora ajusta-se a frequência”.

“Sempre sem explicações claras, sem fundamentação pública consistente e sem prestação de contas. O metrobus ainda não entrou plenamente em funcionamento e já acumula recuos e alterações face ao discurso inicial. Isto não reforça a confiança no projeto – fragiliza-a”, observa a coligação (PCP-PEV) com assento na Assembleia Municipal.

Assim, a CDU “considera inaceitável que decisões com impacto directo na vida dos utentes dos transportes públicos sejam tomadas ou alteradas sem justificação e esclarecimento público adequado”.

“Mais grave ainda é a postura da Câmara Municipal do Porto e do executivo de Pedro Duarte [coligação PSD/CDS-PP/IL], que procura distanciar-se politicamente do processo, como se não tivesse responsabilidade estratégica sobre um projeto desta magnitude. A mobilidade urbana exige rigor, planeamento e transparência. O que tem existido são anúncios sucessivos seguidos de revisões silenciosas”, considera a coligação.

A CDU refere ainda que “continuará a exigir explicações claras e responsabilidade política sobre as opções tomadas, porque a cidade não pode continuar a assistir a sucessivas revisões de promessas sem que ninguém responda por elas”.

Na quinta-feira, a CDU já tinha acusado a Câmara do Porto de tomar de tomar uma “decisão avulsa” ao decidir abrir uma via da Avenida da Boavista a modos suaves e limitá-la a 30 quilómetros por hora ao invés de criar uma ciclovia.

“Esta decisão é tomada de forma unilateral pela Câmara Municipal do Porto, sem que seja conhecida qualquer estratégia de integração com uma rede ciclável coerente à escala da cidade e sem qualquer consulta a associações (…). É mais uma decisão avulsa sobre a vida quotidiana de milhares de pessoas, tomada sem ouvir as forças vivas da cidade”, criticou esta segunda-feira a CDU.

Na quarta-feira, o vereador com o pelouro da Mobilidade e Transportes, Hugo Beirão (IL) avançou à Lusa que a via direita da Avenida da Boavista vai ser aberta a modos suaves e limitada a 30 quilómetros por hora na sequência da entrada em funcionamento do metrobus, cujo canal era até agora informalmente usado como ciclovia, justificando que nesta fase não é possível retirar uma via ao automóvel para criar uma ciclovia.

Para a CDU do Porto, esta proposta “representa, na prática, o fim da mobilidade suave na Avenida da Boavista enquanto opção minimamente estruturada e protegida”.

Relembrando que esta artéria tinha uma ciclovia integrada na circulação automóvel antes das obras do metrobus, o grupo municipal considerou que esta solução “não corrige os erros” da anterior e agrava-os por colocar bicicletas, trotinetes e carros a partilhar uma artéria com tráfego intenso e muitos cruzamentos, “aumentando o risco para todos os utilizadores”.

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