Detidos nas buscas às Águas de Gaia só são ouvidos na sexta-feira

O Ministério Público sustenta que os sete funcionários da Águas de Gaia manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

Maio 27, 2026

Os suspeitos do envolvimento num esquema de corrupção e branqueamento na empresa municipal Águas de Gaia (ADGaia), detidos na terça-feira, só vão ser interrogados na sexta-feira, revelou hoje fonte judicial.

Os 13 detidos, sete funcionários da ADGaia, três dos quais com cargos de chefia, um ex-funcionário e cinco empresários ligados à construção civil e à venda de materiais, chegaram hoje ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto por volta das 15:50 para serem presentes a um juíz, mas este fez o enquadramento do processo e remeteu o interrogatório para sexta-feira, situação acordada com os advogados, referiu a fonte.

Durante esta tarde, houve uma reunião com os advogados para definir a ordem dos trabalhos, acrescentou.

Na quinta-feira, os advogados vão consultar o processo, estando, por isso, os arguidos, que abandonaram o tribunal pelas 18:15, dispensados de comparecer naquelas instalações.

“A investigação, em curso há cerca de 17 meses, incide sobre um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia (ADGAIA), com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução”, adiantou a Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira.

O Ministério Público (MP) sustenta que os sete funcionários da Águas de Gaia manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

Um despacho judicial, a que a agência Lusa teve hoje acesso, refere que, entre 2009 e 03 de fevereiro de 2026, um empresário da construção, outro dos 13 detidos na terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ) na operação “Águas Turvas”, teve a adjudicação de 98 contratos públicos, de quase 11 milhões de euros, 81 deles celebrados com a ADGAIA, tendo emitido faturas à empresa municipal no montante global de cerca de 8,5 milhões de euros.

A investigação diz que em 2024 e em 2025 este empreiteiro faturou à ADGAIA cerca de 1,8 milhões de euros, representando 73% da sua faturação total, acrescentando que, nestes dois anos, o arguido efetuou levantamentos bancários superiores a 45 mil euros, para supostos pagamentos em numerários aos funcionários detidos, alguns dos quais diretores.

O despacho indica que o empresário pagou almoços e jantares aos funcionários com o objetivo de, alegadamente, os recompensar e para continuar a ser beneficiado em futuras adjudicações.

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