Escritora portuguesa Lídia Jorge vence Prémio Camões 2026

O Prémio Camões é considerado o mais importante galardão de literatura em Língua Portuguesa e tem um valor pecuniário de cem mil euros.

Julho 2, 2026

A escritora portuguesa Lídia Jorge, autora de vasta obra literária, entre a qual “Misericórdia” (2022), que lhe valeu vários prémios, incluindo o Médicis Étranger, venceu o Prémio Camões 2026, anunciou esta terça-feira o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

O júri, reunido esta tarde em formato “online”, deliberou por unanimidade distinguir a escritora Lídia Jorge, destacando “o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa”.

O Prémio Camões é considerado o mais importante galardão de literatura em Língua Portuguesa e tem um valor pecuniário de cem mil euros.

Na fundamentação da decisão, o júri destacou ainda uma escrita “marcada por uma prosa poética densa”, dedicada à exploração de temas como o passado ditatorial e a transição democrática em Portugal, a condição feminina, a emigração, os conflitos geracionais, as transformações sociais e o papel da memória coletiva na construção da identidade contemporânea

“O Prémio Camões 2026 reconhece uma das mais relevantes vozes da literatura portuguesa contemporânea. Ao longo de décadas, Lídia Jorge construiu uma obra de enorme exigência intelectual e literária, contribuindo para afirmar a língua portuguesa como espaço de criação, pensamento e diálogo entre culturas”, considerou a ministra Margarida Balseiro Lopes, que informou a escritora por telefone.

O júri do prémio foi composto por duas personalidades portuguesas, José Carlos Seabra Pereira e Ana Mafalda Leite, duas brasileiras, José Bessa e Lúcia Santaella, e dois representantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, Odete Semedo e Lopito Feijóo.

Nascida em Boliqueime, em 1946, Lídia Jorge estreou-se na ficção com o romance “O Dia dos Prodígios”, publicado em 1980.

Ao longo de mais de quatro décadas de atividade literária, construiu uma vasta obra amplamente reconhecida em Portugal e no estrangeiro, que lhe valeu vários prémios, e com livros traduzidos em diversas línguas e estudas em universidades de vários países.

Entre as distinções que já lhe couberam, destacam-se o Prémio Pessoa, em 2025, o Prémio Médicis para livro estrangeiro e o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia, pelo seu mais último romance, “Misericórdia”, e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, atribuído em 2020.

No passado mês de junho, o Governo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural em Loulé, no âmbito da 4.ª edição do Fórum Cultura.

Instituído em 1988 pelos Estados português e brasileiro, o Prémio Camões visa distinguir autores cuja obra contribua de forma relevante para a projeção e valorização da língua portuguesa.

O secretariado da 38.ª edição do Prémio Camões foi assegurado pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que, em colaboração com o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC), coordena a participação portuguesa na atribuição do galardão, acrescenta o comunicado.

No ano passado, o Prémio Camões foi atribuído à poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares.

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