As duas alternativas de traçado possíveis “apenas diferem no troço entre a estação Serra e Lantemil”, sendo que uma “considera um trecho à superfície e em viaduto (viaduto do Bougado) “com 60 metros e outro com 392,5 metros”.

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da linha de metro e metrobus até à Trofa, no distrito do Porto, entrou esta segunda-feira em consulta pública no portal participa.pt, que decorre até 12 de outubro, consultou a Lusa.
Este é o projeto da extensão do Metro do Porto à Trofa, que obrigará a transbordo de metro para metrobus no Muro, com custo estimado de até 105,3 milhões de euros para a obra, sem contar com despesas como material circulante, expropriações, projetos, fiscalização, equipamento e sistemas de apoio à exploração, sendo que, em outubro de 2023, a metro tinha estimado custos totais de 160 milhões de euros.
No dia 30 de abril, a Lusa já tinha noticiado que os documentos relativos ao projeto já tinham sido publicados no “site” da Agência Portuguesa do Ambiente.
“O custo de investimento relativo à implementação da Linha ISMAI-Paradela é de 100.949.737,93 euros, para a Alternativa 1, e para a Alternativa 2 será de 105.381.249,82 euros”, segundo o EIA.
As duas alternativas de traçado possíveis “apenas diferem no troço entre a estação Serra e Lantemil”, sendo que uma “considera um trecho à superfície e em viaduto (viaduto do Bougado) “com 60 metros e outro com 392,5 metros”.
Ambas as alternativas preveem um tempo de obra de dois anos e meio e nove estações: “Ribela, pertencente ao sistema de metro, Muro (estação partilhada entre Metro e BRT [Bus Rapid Transit, vulgo metrobus]) e Serra, Lantemil, Bougado, Pateiras, Paços do Concelho, Trofa Sul e Interface Trofa, pertencentes ao sistema BRT”.
As estações de metro e metrobus da ligação do Metro do Porto à Trofa serão localizadas em zonas rurais, semiurbanas, industriais e urbanas, passando o trajeto sobretudo a sul da zona citadina mais consolidada do município.
O único troço com verdadeira inserção urbana contínua do metrobus na Trofa vai obrigar à remoção de dezenas de árvores da variante à Estrada Nacional 14 (EN14), junto à estação ferroviária.
De acordo com os desenhos presentes no estudo, a intervenção vai retirar um passeio com 5,77 metros de largura e dezenas de árvores, passando esta zona a ser ocupada pelo canal do metrobus, bem como suprimir um separador central verde de 1,72 metros entre os dois sentidos da circulação, tornando a estrada com seis vias inteiramente dedicada à circulação rodoviária, seja para o automóvel, seja para o metrobus.
Neste troço, o único “com verdadeira inserção urbana contínua”, “desenvolvendo-se ao longo da Avenida 19 de Novembro”, nome da variante à EN14 naquele local, o canal do metrobus vai substituir “o passeio largo existente, exigindo reorganização completa da secção urbana, com rodovia deslocada, passeio acessível e nova iluminação”.
“Dado que grande parte da linha decorre sobre antigo canal ferroviário e zonas rurais, a inserção urbana, para além das estações, apenas se aplica de forma significativa ao troço entre as estações de Trofa Sul e Interface Trofa [estação ferroviária], localizado na EN14”, precisamente esta zona afetada.
Quanto às intervenções nas restantes estações, estão também previstas remoções de árvores não quantificadas, apesar de se referir que o projeto prioriza a “preservação da vegetação existente sempre que possível” e a “seleção de espécies autóctones e resilientes”.
Em 15 de maio, o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, garantiu que o transbordo do metro para o metrobus em Muro, na Trofa, “não custa quase tempo” nenhum quando o projeto estiver em funcionamento, garantindo “alinhamento completo” com a autarquia.
A linha já tem financiamento assegurado através do programa de fundos europeus Sustentável 2030, que tem 225 milhões de euros para esta linha e para a de Gondomar.
Em janeiro de 2026, o presidente da Metro disse que o concurso para a conceção-construção desta linha será lançado este ano.