Gaia faz queixa de quem “semeia lixo” e lembra que recolha encarece fatura da água

Depositar lixo em sítios errados dá multa, que vai de 200 euros até 60 mil euros, pode dar prisão se forem resíduos perigosos.

Fevereiro 25, 2026

O consultor da empresa municipal Águas de Gaia, Joaquim Poças Martins, disse esta quarta-feira à Lusa que o município está a levar a cabo “ações judiciais” para denunciar quem “semeia lixo”, de entulho a móveis e colchões abandonados, pela cidade.

“Está a haver, eu diria, desleixo, e já não sei se crime organizado, de gente que anda a semear lixo nos vários sítios. Já identificámos matrículas e estão a ser feitas ações judiciais”, disse. 

Depositar lixo em sítios errados dá multa, que vai de 200 euros até 60 mil euros, pode dar prisão se forem resíduos perigosos. Isso leva a duas coisas: quem faz isso estraga uma cidade em termos ambientais, mas há outra coisa, que as pessoas ainda não perceberam: é que isso vai aumentar o preço da conta da água”, explica à Lusa Joaquim Poças Martins.

Para Poças Martins, o facto de as pessoas sujarem mais “leva a que se gaste mais dinheiro para limpar”, descrevendo o que considera uma “epidemia de colchões” encostados a contentores do lixo pela cidade.

“Porque a empresa Águas de Gaia tem uma fatura que tem água, saneamento e resíduos. Estamos a gastar milhões em varredura, montureiras… Isso vai acrescer ao que as pessoas pagam pela água”, aponta.

Assim, têm identificado “reincidências” e práticas organizadas de quem procura aproveitar-se para recolher lixo, sem licença, como detritos de pequenos empreiteiros e outros de grandes dimensões, e não depositar no local adequado.

“Temos sete mil contentores de resíduos, em Gaia há um contentor a cerca de 50 metros de cada casa. Há um serviço de recolha da Suma, pelo qual pagamos quase 20 milhões por ano. Esses camiões diariamente percorrem os contentores e limpam. Ao lado, indevidamente, põem colchões, móveis velhos, coisas que os camiões não podem levar”, lamenta.

Ações contra este tipo de situação estão a avançar “para tribunal, com fotografias e matrículas identificadas”, numa das ações que tem identificado para reduzir o lixo junto às estradas, passeios e contentores, a que a autarquia tem tentado responder com um sistema de recolha porta a porta.

“Já há um pequeno crime organizado de gente que anda a recolher lixo, eletrodomésticos velhos, colchões. Quem vende um eletrodoméstico novo tem de ficar com o velho. Esses velhos têm de ir para locais credenciados. O que deve estar a acontecer é que algumas destas pessoas em vez de levarem para lugares credenciados, entregam a um marginal que o despeja aí à volta”, reforça o engenheiro.

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