Depositar lixo em sítios errados dá multa, que vai de 200 euros até 60 mil euros, pode dar prisão se forem resíduos perigosos.

O consultor da empresa municipal Águas de Gaia, Joaquim Poças Martins, disse esta quarta-feira à Lusa que o município está a levar a cabo “ações judiciais” para denunciar quem “semeia lixo”, de entulho a móveis e colchões abandonados, pela cidade.
“Está a haver, eu diria, desleixo, e já não sei se crime organizado, de gente que anda a semear lixo nos vários sítios. Já identificámos matrículas e estão a ser feitas ações judiciais”, disse.
Depositar lixo em sítios errados dá multa, que vai de 200 euros até 60 mil euros, pode dar prisão se forem resíduos perigosos. Isso leva a duas coisas: quem faz isso estraga uma cidade em termos ambientais, mas há outra coisa, que as pessoas ainda não perceberam: é que isso vai aumentar o preço da conta da água”, explica à Lusa Joaquim Poças Martins.
Para Poças Martins, o facto de as pessoas sujarem mais “leva a que se gaste mais dinheiro para limpar”, descrevendo o que considera uma “epidemia de colchões” encostados a contentores do lixo pela cidade.
“Porque a empresa Águas de Gaia tem uma fatura que tem água, saneamento e resíduos. Estamos a gastar milhões em varredura, montureiras… Isso vai acrescer ao que as pessoas pagam pela água”, aponta.
Assim, têm identificado “reincidências” e práticas organizadas de quem procura aproveitar-se para recolher lixo, sem licença, como detritos de pequenos empreiteiros e outros de grandes dimensões, e não depositar no local adequado.
“Temos sete mil contentores de resíduos, em Gaia há um contentor a cerca de 50 metros de cada casa. Há um serviço de recolha da Suma, pelo qual pagamos quase 20 milhões por ano. Esses camiões diariamente percorrem os contentores e limpam. Ao lado, indevidamente, põem colchões, móveis velhos, coisas que os camiões não podem levar”, lamenta.
Ações contra este tipo de situação estão a avançar “para tribunal, com fotografias e matrículas identificadas”, numa das ações que tem identificado para reduzir o lixo junto às estradas, passeios e contentores, a que a autarquia tem tentado responder com um sistema de recolha porta a porta.
“Já há um pequeno crime organizado de gente que anda a recolher lixo, eletrodomésticos velhos, colchões. Quem vende um eletrodoméstico novo tem de ficar com o velho. Esses velhos têm de ir para locais credenciados. O que deve estar a acontecer é que algumas destas pessoas em vez de levarem para lugares credenciados, entregam a um marginal que o despeja aí à volta”, reforça o engenheiro.