“Em 83 dos 86 municípios da região, o saldo migratório foi positivo, demonstrando uma capacidade de atração de população transversal ao território”, adianta o estudo.

A região Norte do país ganhou cerca de 187 mil habitantes entre 2021 e 2025, segundo números hoje divulgados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), uma evolução “fortemente impulsionada pela componente migratória”.
A CCDR-N divulgou hoje o boletim “Norte Estrutura — Verão 2026”, sobre o “novo mapa demográfico do Norte”, que mostra um crescimento populacional de 5,2%, para um total de 3.790.554 habitantes, “o mais expressivo das últimas décadas e suficiente para inverter uma trajetória marcada durante anos pelo declínio e pela estagnação”.
Segundo a CCDR-N, esta “recuperação demográfica foi fortemente impulsionada pela componente migratória”, com um saldo migratório positivo de cerca de 235 mil pessoas, o que “compensou amplamente o saldo natural negativo e permitiu um aumento líquido de 187 mil residentes”, numa análise ancorada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e indicadores demográficos.
“Em 83 dos 86 municípios da região, o saldo migratório foi positivo, demonstrando uma capacidade de atração de população transversal ao território”, adianta o estudo.
Segundo o estudo, as oito sub-regiões cresceram em população no período analisado, a primeira vez que isto acontece, e se a análise for alargada ao período 2011-2025, o crescimento é de 2,9%, impulsionado pelos últimos anos.
Citado em comunicado, o presidente da CCDR-N, Álvaro Santos, diz que os dados “demonstram que o Norte entrou num novo ciclo demográfico”.
“Este é um sinal de uma região mais atrativa, capaz de gerar oportunidades, criar emprego e fixar população, embora persistam desafios estruturais ligados ao envelhecimento demográfico e à renovação geracional”, afirmou.
Outro “sinal relevante” é o aumento da população em idade ativa, em todas as sub-regiões, que aumentaram o número de pessoas entre os 25 e os 64 anos, e em territórios como a Área Metropolitana do Porto, o Cávado e o Alto Minho, também ocorreu reforço na faixa etária 15-24 anos.
“A análise sublinha, contudo, que permanecem desafios estruturais associados ao envelhecimento da população e ao saldo natural negativo, especialmente nos territórios de muito baixa densidade”, alerta aquela entidade.
O boletim identifica três fases diferentes no período mais alargado, entre 2011 e 2025, uma primeira, de 2011 a 2015, de “declínio”, marcado pela recessão económica e aumento do desemprego com diminuição de 2,1%, de estabilização, de 2015 a 2021, e a atual, de crescimento.
Apesar do impulso dado pelo saldo migratório, ou seja, a diferença entre entradas e saídas de população migrante, positivo na região, este valor acumulado positivo entre 2011 e 2025, de 231,5 mil pessoas, corresponde a uma taxa de crescimento migratório de 6,4%, quase metade dos valores nacionais (12%).
“Esta discrepância face ao contexto nacional significa que, apesar do reforço da imigração, a capacidade de atração migratória do Norte permaneceu inferior à observada no conjunto do país, contribuindo para uma recuperação demográfica menos intensa ao longo do período”, pode ler-se no boletim.
De resto, entre 2011 e 2015 o saldo migratório acumulado era negativo, em mais de 54 mil pessoas, uma tendência que se inverteu no período seguinte, com 51 mil pessoas de saldo positivo entre 2015 e 2021, acabando por acelerar de forma muito acentuada entre 2021 e 2025, para 235 mil positivo.
Em termos municipais, 66 dos 86 municípios registam saldo migratório acumulado positivo entre 2011 e 2025, com taxa de crescimento mais elevado no Porto (21,4%), Valença (20,8%), Vila Nova de Cerveira (17,9%), Bragança (16,5%) e Póvoa de Varzim (14,6%).
Em termos absolutos, o Porto continua na frente, com saldo superior a 52 mil pessoas, seguindo-se Braga (25,7 mil), Vila Nova de Gaia (24,3 mil) e Vila Nova de Famalicão (10,4 mil).