Em causa está uma nova ligação neste meio de transporte com estações na praia das Pedras Amarelas, praia de Lavadores, Douro Marina, Segundo Cais da Afurada, Jardins da Arrábida e Arrábida.

O novo teleférico de Gaia, a ligar a praia das Pedras Amarelas à Arrábida, será um investimento privado que poderá rondar os 90 milhões de euros e não terá custos para o município, disse o presidente da Câmara.
“Zero [euros de investimento da autarquia]. Conceção, construção, exploração. Aliás, não estamos a inventar nada de novo. Quatro importantes municípios, incluindo Paris e três satélites, fizeram isso inaugurado há três ou quatro meses”, disse esta terça-feira Luís Filipe Menezes (coligação PSD/CDS-PP/IL) aos jornalistas à margem de uma cerimónia de entrega de 18 habitações, que decorreu no Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto).
Em causa está uma nova ligação neste meio de transporte com estações na praia das Pedras Amarelas, praia de Lavadores, Douro Marina, Segundo Cais da Afurada, Jardins da Arrábida e Arrábida.
Questionado sobre os custos do investimento privado necessário, estimou que “que andará à volta dos 80, 90 milhões de euros” no âmbito do modelo de conceção, construção e exploração, que “será financiado por quilómetro e por número de utentes que o utilizem”, numa “lógica de mercado”, ao mesmo tempo que já está “negociado com o Estado e com a autoridade metropolitana de transportes a sua introdução no sistema metropolitano de transportes”, com o Andante.
“A Câmara de Gaia tinha completa capacidade para construir esse teleférico e o explorar sem precisar de socorrer de qualquer tipo de crédito, nem de se endividar”, disse, o que “custaria à Câmara entre os dois ou três milhões de euros por ano”, mas “a contratação pública em Portugal é muito limitativa” em termos de limite de investimento, o que levou a autarquia a ir pelo modelo privado.
Menezes aponta para um potencial de 60 mil utilizadores, tanto numa lógica de “trazer pessoas de zonas que estão muito encravadas do ponto de vista de mobilidade” para o metro, na futura estação Arrábida da Linha Rubi, como de servir os utilizadores das praias de Gaia vindos do concelho e da Área Metropolitana do Porto (AMP), numa lógica de retirar “os automóveis e autocarros da praia e dar utentes ao teleférico”.
Uma terceira componente é ser “mais um elemento da promoção turística da própria área metropolitana e do concelho”, referindo que, por estes motivos, “por este mercado aparentemente alargado, houve interesse” dos privados em avançar com o projeto.
Segundo os números divulgados por Menezes, o novo meio de transporte terá uma capacidade de até 15 mil pessoas/hora, em 12 a 14 pessoas por cabine, e “com lugares específicos para pessoas com “handicap”, para cadeiras de rodas e para bicicletas”.
Quanto aos impactos do mar ou dos ventos, o autarca disse que a região “não tem tufões nem furacões” mas sim a “nortada”, “um fenómeno fundamentalmente de verão” com ventos na casa dos 40 e 50 km/h, lembrando que os teleféricos de Paris “suportam ventos de 190 km/h”, garantindo que “não se vai tirar a paisagem a ninguém”.
O presidente da Câmara apontou ainda a um segundo teleférico no concelho por cima da Estrada Nacional 222 (EN 222), mas sem se comprometer com esse projeto para já, acreditando que seja possível, “no fim do mandato”, lançar esse projeto.
“A nossa ideia é que ele venha com um grande interface rodoviário para autocarros e automóveis, venha desde a Avintes até à estação de D. João II, na Avenida da República”, descreveu.
Luís Filipe Menezes diz que o objetivo é “desencravar a mobilidade com qualidade dos habitantes de Crestuma, Lever, Olival, Sandim, Pedroso Norte e Oliveira do Douro Sul”, projetando-se “uma única estação intermédia nos Arcos de Sardão, precisamente por causa de Pedroso, Vilar de Andorinho e Oliveira do Douro”.
“A ideia é depois limitar drasticamente o acesso à cidade de autocarros e de veículos automóveis. Também a funcionar ligado ao sistema metropolitano de transportes, também com passe”, disse.
Já quanto ao atual teleférico de Gaia, que liga o Jardim do Morro ao Cais de Gaia mas não pode ser utilizado por utilizadores do passe ou títulos ocasionais Andante, Menezes disse que o serviço será gratuito para todos os cidadãos da freguesia de Santa Marinha com mais de 65 anos.
Quanto ao público em geral, “neste momento a autoridade metropolitana [Transportes Metropolitanos do Porto] está a negociar com o [concessionário do] teleférico”, disse.