A exposição “O Século de Gehry” estende-se por oito capítulos temáticos e é composta por “maquetes de grande escala”.

A exposição “O Século de Gehry”, o “grande arquiteto do século XX”, está patente na Ala Álvaro Siza do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, a partir desta sexta-feira, com 19 dos seus projetos mais “inovadores e influentes”.
Maquetas de alguns dos mais icónicos edifícios de arquitetura de Gehry, como do Museu de Guggenheim Bilbao, em Espanha, a Walt Disney Concert Hall nos EUA, e a Fondation Louis Vuitton, em França, fazem parte dos 19 projetos eleitos da exposição retrospetiva dedicada à carreira de Frank Gehry (1929-2025), considerado “o grande arquiteto do final do século XX e início do século XXI” pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, Prémio Pritzker em 1992.
“Talvez a maior exposição do ano [de Serralves], diria, em qualquer sítio do mundo, não apenas em Serralves, porque de facto é a figura maior, ou como disse há pouco, citando Siza, é o grande arquiteto do final do século XX e início do século XXI”, declarou aos jornalistas o diretor de Arquitetura da Fundação de Serralves, António Choupina, e curador da exposição “O Século de Gehry”.
Durante a visita de imprensa à exposição “O Século de Gehry”, na Ala Álvaro Siza de Serralves, António Choupina destacou os vários esquissos e as maquetes dos projetos de arquitetura de Gehry, que colaborou com Álvaro Siza Vieira no plano diretor da ArtCenter College of Design, em Pasadena, nos EUA, e com quem desenvolveu um diálogo e uma amizade duradouros.
É, segundo o curador, “uma exposição com uma envergadura importante, não só do ponto de vista do que é a instituição do trabalho, mas também por celebrar a sua vida, que infelizmente nos deixou recentemente (…). É uma celebração também da sua visão do mundo (…), do seu olhar sempre novo, de questionar todas as coisas, mesmo as óbvias”, e que foi concebida em parceia com os Gehry Partners, de Frank Gehry, e com o Getty Institute.
A exposição “O Século de Gehry” estende-se por oito capítulos temáticos e é composta por “maquetes de grande escala” e “delicadas”, sendo muitas delas dos anos 70, explicou António Choupina, realçando que foi importante ter trabalhado de perto com o filho de Gehry.
“Tivemos o privilégio de ter muitas conversas durante a montagem, todos os dias ao almoço, ao jantar, e mesmo durante a montagem, porque, como veem, há vários filmes com o Frank Gehry a falar na televisão, que é algo emotivo, naturalmente, como não poderia deixar de ser. E portanto, para ele, este é um projeto também de muito carinho. Para mim foi importantíssima esta colaboração com ele [o filho de Gehry], do ponto de vista do design expositivo, justamente para que também a família e o escritório [de Gehry] sentissem a exposição como sendo parte deles e como uma extensão deste momento, que é sempre uma transição difícil – mas também uma espécie de fechar de ciclo, que abre ciclos novos”.
Questionado sobre quais as maquetes que destacaria, dos 19 projetos selecionados para a exposição, o curador afirmou que era inevitável falar dos projetos do Walt Disney Concert Hall, na sua construção, que tem ainda os esquissos todos do projeto, e gravados na maquete de como estava a resolver a rampa de entrada. “É uma maquete mesmo de intervenção pessoal”.
A cabeça de cavalo do DZ Bank, em Berlim (Alemanha, 1994-99), é outra das obras em destaque pelo curador da exposição, considerada uma “peça quase de joalharia”.
Feita de propósito para a exposição, foi a maquete do projeto de Pasadena (EUA), em conjunto com Álvaro Siza.
Para sublinhar a amizade entre o arquiteto de origem canadiana e o arquiteto português, a exposição conta com o capítulo intitulado “Cruzar linhas: de Los Angeles a Portugal” onde se pode descobrir a maquete do ArteCenter College Design em Pasadena (Califórnia, EUA) e projeto para o Parque Mayer (Lisboa, Portugal, 2003-4).
A amizade entre os dois arquitetos fortalece-se ao longo dos anos ao ponto de se inspirarem mutuamnete, mas as picardias profissionais existiam entre ambos.
“Vão se picando mutuamente, vão-se influenciando, potenciando a obra de cada um”, disse António Choupina. “Um vai questionando mais a sua curvilinearidade, o outro vai questionando a questão ortogonal [ângulo de 90 graus], e no fundo quase trocam de papéis. A certa altura invertem [mesmo] papéis: um é mais ortogonal do que o outro, que é mais curvilíneo do que o outro. E vão estabelecendo um diálogo do que é harmonia no fundo. Não importa se um é “curva” ou se o outro é “reto”. O que importa é a harmonia do conjunto projetual”, concluiu o curador.
Frank Gehry nasceu em Toronto (Canadá), tendo-se mudado com a família para Los Angeles em 1947. Obteve um bacharelato em Arquitetura pela Universidade do Sul da Califórnia em 1954 e prosseguiu estudos de Planeamento Urbano na Graduate School of Design, da Universidade de Harvard (EUA). Recebeu o Prémio Pritzker em 1989.
“O Século de Gehry” fica patente até 30 de dezembro de 2026.