O comandante diz ter dificuldades em “explicar às pessoas” que os planos que fizeram, por vezes com anos de antecedência, saem agora gorados se os barcos turísticos não puderem navegar no Douro.

O presidente da Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) lamentou que o evento Air Invictus tenha sido construído como “começar uma casa pelo telhado”, questionando a falta de planeamento do rio e temendo perda de negócio.
Lembrando que os operadores têm de ser indemnizados pelas perdas que possam ter, até dado o “encaixe previsto” do operador do evento aéreo, considera que o processo “não começou da melhor forma” e, a uma semana do arranque anunciado, embora ainda não haja autorização da Autoridade Nacional da Aviação Civil, teme que se tenha começado “uma casa pelo telhado”.
O comandante diz ter dificuldades em “explicar às pessoas” que os planos que fizeram, por vezes com anos de antecedência, saem agora gorados se os barcos turísticos não puderem navegar no Douro, sobretudo tendo em conta o que acarreta: voos, hotéis, restaurantes e outras atividades associadas.
“Os operadores que estão aqui no Douro têm um conjunto de obrigações sobre os colaboradores, sobre a razão de ser do negócio, que são os passageiros, e há aqui um planeamento de todos, a cinco anos. Estamos a vender já cinco anos para a frente. (…) Neste pressuposto, chega uma atividade qualquer que diz: “não podem fazer isto nestes dias”, como é que eu respondo aos meus clientes internacionais?”, questiona Hugo Bastos.
Em 08 de maio, a AAMTD, após uma reunião com a organização do Air Invictus e a APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo), revelou, em comunicado, que o evento ainda “não tinha a autorização definitiva para a sua realização”, por parte da ANAC.
Na ocasião, esta associação exigiu respostas e soluções, sublinhando que o facto de a ANAC vir a pronunciar-se cerca de 15 dias antes do evento era “estruturalmente inviável para operadores que planeiam a dois e três anos de antecedência”.
Lembrando essa reunião, Hugo Bastos admitiu que, nesse momento, quiseram “ser parte da solução” e compreender qual a compensação pela paragem da operação para os operadores afetados.
“Começámos a trabalhar um bocadinho mais em conjunto, foi definido um conjunto de compensações em relação às embarcações que não iam poder operar”, definiu.
Por outro lado, diz não ser possível perceber o nível de indemnização para “transfers” adicionais, dada a “ausência, até há pouco tempo, do próprio plano de circulação dentro da cidade, pelas entidades do plano de segurança”.
“Em todos os eventos que se fazem no Douro, a associação e os seus associados colaboram, mas tem de haver regras também para esta colaboração. É sempre a mesma conversa: planeamento, estratégia. (…) [Com] eventos avulsos, que caem do céu, temos de ter um bocadinho mais de seguridade e respeito pelas pessoas, que têm atividade montada, salários para pagar, impostos. Isto tem de fluir. Nós desde sempre queremos colaborar, mas não pode ser de qualquer maneira”, acrescenta.
A AAMTD adiantou que a paragem total da navegação no Rio Douro durante os três dias do evento implicaria “perdas de milhões de euros para os operadores marítimo-turísticos”.
Fundada em 2018, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na Via Navegável do Douro, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor.
Na quarta-feira, em resposta à Lusa, a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) explicou que ainda não autorizou a realização do Air Invictus, agendado para 19, 20 e 21 de junho no Porto, Gaia, Maia e Matosinhos, acrescentando que o promotor apresentou alterações no início desta semana.
“A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ainda não proferiu decisão sobre o pedido de realização do evento aeronáutico em apreço, encontrando-se o mesmo em fase de avaliação técnica. Salienta-se que o promotor do evento apresentou alterações, no início desta semana, que abrangem diversos domínios”, explica o regulador da aviação civil.
A organização, por seu lado, disse à Lusa que a primeira edição do evento, previsto para os dias 19 a 21 de junho. “não está, nem nunca esteve, em causa”, defendendo que cumpriu todos os prazos regulamentares e a articulação com autoridades competentes.
Em comunicado já divulgado pelos promotores do Air invictus lê-se que “está a chegar o maior evento aéreo e aeroespacial alguma vez organizado em Portugal”.
Segundo os promotores, “muito mais do que uma corrida, a primeira edição do Air Invictus em Portugal contempla uma vasta oferta em terra e no ar, com um total de 15 eventos distribuídos” pelas cidades do Porto, de Gaia, da Maia e de Matosinhos.