Projeto “Serras do Porto Natura 2030” prevê investimento de 1,7ME

O projeto Serras do Porto Natura 2030, financiado pelo NORTE 2030, em mais de 1,5 milhões de euros, abrange cerca de seis mil hectares distribuídos pelos municípios de Gondomar, Paredes e Valongo.

Maio 28, 2026

O Projeto “Serras do Porto Natura 2030”, um investimento superior a 1,7 milhões de euros, foi hoje apresentado em Paredes como um passo decisivo para a conservação da natureza, restauro ecológico e adaptação às alterações climáticas no território.

Na sessão, realizada no Parque da Senhora do Alto, em Aguiar de Sousa, concelho de Paredes, o presidente do Conselho Executivo da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, Alexandre Almeida, deu a conhecer o projeto e apresentou as intervenções previstas nas linhas de água dos três municípios associados, Gondomar, Paredes e Valongo.

Segundo o responsável, este projeto procura dar resposta às principais ameaças identificadas no território, como a presença de espécies exóticas e invasoras, a degradação de linhas de água, a pressão humana e a perda progressiva de habitats sensíveis.

O projeto Serras do Porto Natura 2030, financiado pelo NORTE 2030, em mais de 1,5 milhões de euros, abrange cerca de seis mil hectares distribuídos pelos municípios de Gondomar, Paredes e Valongo, grande parte inserida na Zona Especial de Conservação (ZEC) Valongo da Rede Natura 2000.

A operação inclui um conjunto de ações de monitorização inovadoras, como o uso de ADN ambiental para inventariar espécies aquáticas e detetar fauna de difícil observação, a monitorização sistemática da avifauna, das libélulas, da salamandra-lusitânica e dos microbiótopos presentes nas antigas minas romanas.

O projeto integra ainda a instalação de estações meteorológicas, sensores de fauna, câmaras de monitorização e um drone, que permitirão recolher dados rigorosos e acompanhar, em permanência, a evolução das áreas intervencionadas.

Um dos elementos estruturantes deste investimento, destacado na apresentação do projeto, é o restauro ecológico de habitats prioritários, com destaque para as charnecas secas europeias (vegetação rasteira), as galerias ripícolas (corredores de vegetação que crescem nas margens de rios, ribeiras e linhas de água) e as depressões turfosas, que são formações vegetais que colonizam solos com acumulação permanente de água.

Entre as ações mais relevantes destaca-se também a aquisição de dois terrenos na zona das Águas Férreas, em Santa Justa, considerada área de importância crítica para a reprodução da salamandra-lusitânica e onde se localizam minas romanas consideradas refúgios ecológicos únicos.

“Esta compra permitirá garantir a gestão pública e contínua de um dos locais mais emblemáticos para a conservação desta espécie vulnerável”, salientaram os responsáveis.

O projeto investe ainda na reabilitação de 8,4 quilómetros de linhas de água, recorrendo a soluções baseadas na natureza para recuperar margens, estabilizar taludes, controlar espécies invasoras, melhorar a qualidade da água e reforçar a conectividade ecológica ao longo dos rios Ferreira e Sousa.

Estas intervenções visam aumentar a resiliência do território a fenómenos climáticos extremos e para restaurar habitats essenciais a inúmeras espécies protegidas.

Na vertente social e educativa, o projeto implementará um plano de comunicação abrangente, com a criação de conteúdos audiovisuais, gestão de plataformas digitais e ações de sensibilização para diversos públicos.

Está prevista a edição de um livro infantojuvenil, a criação de uma peça de teatro, múltiplas sessões educativas para escolas, famílias e atores locais, bem como o desenvolvimento de ações de voluntariado dedicadas ao controlo de invasoras e à plantação de espécies nativas.

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