Profissionais da ULS Santo António em greve exigem regularização salarial

Além dos dois dias de greve no Porto, está agendada para sexta-feira uma ida a Lisboa para entregar um abaixo-assinado na residência oficial do Primeiro-Ministro, em Lisboa.

Maio 28, 2026

Os profissionais de saúde das áreas de diagnóstico e terapêutica da Unidade Local de Saúde Santo António (ULSSA), no Porto, que iniciam hoje dois dias de greve, exigem que a administração que regularize a sua situação salarial.

Em causa está, lê-se no comunicado enviado à Lusa, “o incumprimento das orientações governamentais relativas ao pagamento dos créditos salariais devidos, pondo termo às omissões e atrasos que têm lesado os trabalhadores”.

“Estes trabalhadores sentem uma revolta muito grande face a este conselho de administração que não decide favoravelmente em relação aos trabalhadores, mesmo havendo uma decisão do Governo nesse sentido”, acrescentou o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), Luís Dupont, que hoje acompanha os trabalhadores da ULSSA numa concentração em frente ao Hospital de Santo António.

Na ULSSA, afetados por esta situação são cerca de 390 os trabalhadores destas áreas, segundo o STSS.  

Em declarações à agência Lusa, Luís Dupont explicou que a administração da ULSSA “não cumpre as orientações do Governo relativas à Circular Conjunta ACSS/DGTF de 2 de novembro de 2023, à Circular Informativa Conjunta de 12 de março de 2025 e demais normativos legalmente aplicáveis”, algo que “não tem acontecido em outras ULS que paulatinamente têm vindo a regularizar a situação”.

“A ULS Santo António, porque no passado foi colocada uma ação em tribunal, ainda no Governo do PS, contra o ULS, teima em não avançar e entende que não deve aplicar as orientações e a decisão do atual Governo. Mesmo estando o autor da ação, o sindicato, disponível para desistir deste litígio”, referiu o dirigente.

Sobre a ação que corre em tribunal, Luís Dupont explicou que aconteceu quando o sindicato foi pedir ao tribunal para este reconhecer os direitos dos trabalhadores.

“Entretanto este Governo reconheceu e portanto, como fizemos com outras instituições, foi extinta a ação por acordo entre as partes. Aquilo que era o objeto da ação deixou de existir deixou de existir. Esta ULS teima em continuar com este processo em tribunal”, lamentou.

Segundo o presidente do STSS, a última reunião com a administração da ULSSA que terá decorrido no mês passado foi “inconclusiva” e esta avançou que iria pedir instruções à tutela, razão pela qual estes trabalhadores resolveram manter para hoje e sexta-feira cumprir os dois dias de greve previstos.

“Quem está a ser prejudicada é a ULS e os seus utentes, os doentes que a frequentam porque os cuidados ficam comprometidos. Não é o serviço de urgência, nem os doentes oncológicos porque naturalmente garantimos nos serviços mínimos, mas é aquilo que é a rotina, marcação de exames, tratamentos, consultas e cirurgias programadas. Tudo o que seja programado fica comprometido, o que lamentamos, porque não havia necessidade nenhuma de continuarmos com este litígio”, acrescentou.

Além dos dois dias de greve no Porto, está agendada para sexta-feira uma ida a Lisboa para entregar um abaixo-assinado na residência oficial do Primeiro-Ministro, em Lisboa, por dirigentes e delegados sindicais para exigir “a resolução urgente do conflito e o cumprimento das orientações já emitidas pelo Ministério da Saúde” lê-se no comunicado do STSS.

A agência Lusa solicitou esclarecimentos à ULS Santo António e aguarda resposta.

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