Transporte público gratuito para portuenses causa dificuldade noutros municípios

A proposta, aprovada na terça-feira pela Câmara do Porto, permitirá aos portuenses viajar por toda a área metropolitana, uma medida que terá custos anuais estimados pela autarquia do Porto de 20,5 milhões de euros.

Abril 29, 2026

O anúncio pela Câmara do Porto da implementação de transportes públicos gratuitos para os portuenses na Área Metropolitana do Porto (AMP) provocou dificuldade de gestão nos demais municípios, revelou esta quarta-feira a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro.

“O anúncio por parte do município de Porto de avançar com essa medida gerou, naturalmente, aos municípios restantes, principalmente os da Área Metropolitana do Porto, alguma dificuldade de gestão, uma vez que não nos é possível, de momento, avançar com essa medida”, afirmou a autarca no final da reunião do executivo de Matosinhos.

A proposta, aprovada na terça-feira pela Câmara do Porto, permitirá aos portuenses viajar por toda a área metropolitana, uma medida que terá custos anuais estimados pela autarquia do Porto de 20,5 milhões de euros.

Segundo Luísa Salgueiro, Matosinhos tem “uma realidade diferente (…) com dois operadores” de transportes, enquanto o Porto tem apenas a STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto].

“Estamos em fase ainda de estabilização de redes e não foi feita avaliação financeira do impacto, ou melhor, não é possível acomodar esse impacto financeiro e também nos parece que é uma medida que só tem o verdadeiro efeito se passar além das fronteiras do município porque, na verdade, o que está em causa é fomentar a utilização do transporte público”, frisou a autarca socialista.

E prosseguiu: “não é apenas o impacto no orçamento das famílias, mas sim que as pessoas troquem o transporte individual, que tem um preço, pelo transporte coletivo e, assim, aliviar a pressão da mobilidade, [não apenas] na cidade de Porto, mas para todos”.

Todavia, referiu Luísa Salgueiro, “para que este efeito ocorra, é preciso que a escala seja supramunicipal (…). Esta medida tem de ser vista em conjunto. É uma daquelas que deve ter uma visão verdadeiramente metropolitana”.

“E foi isso que foi pedido ao presidente do Conselho Metropolitano do Porto [Pedro Duarte], que promovesse uma visão que abrangesse os municípios todos”, revelou a autarca, assinalando ter ficado decidido a AMP “encomendar um estudo que avalie as condições de implementação da medida em todos os municípios” para que, depois, os municípios possam “solidariamente tomar essa decisão, evitando que cada um faça política individualmente”.

E é neste contexto que, assegurou a autarca, Matosinhos “vai aguardar pelo estudo” para se decidir sobre “o verdadeiro efeito, que é fomentar a utilização do transporte público através da gratuitidade”.

Questionado se o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte poderia ter aguardado por esse estudo, Luísa Salgueiro não quis comentar em nome das “boas relações de vizinhança”, afirmando: “respeito muito o trabalho do Porto, a sua autonomia, mas acho que faz sentido que se aguarde por esse estudo”.

Ainda assim, admitiu, que gostaria que essa realidade fosse adotada ao nível da AMP, afirmando que, “se houver possibilidades de executar, todos os autarcas gostariam de avançar com esta medida e, sobretudo, com esta visão de contributo para a melhoria da mobilidade, que é as pessoas trocarem as viaturas pelo transporte público”.

Partilhar

Pub

Outras notícias