A 25 de março, o Comando Metropolitano do Porto da PSP admitiu que a 12.ª Esquadra, responsável pelo atendimento à população local, já não se encontrava nas instalações da Praça de Pedro Nunes, em Cedofeita.

A CDU entregou esta quinta-feira ao Comando Metropolitano da PSP do Porto um abaixo-assinado com mais de 1.500 assinaturas de “moradores, trabalhadores, comerciantes, fregueses e munícipes” contra o fim do atendimento ao público na esquadra da PSP em Cedofeita.
“Continua a ser exigível que se clarifique a situação da esquadra de Cedofeita. Nós não temos uma alternativa definida àquilo que era o policiamento que ali se fazia, não temos justificações para esta decisão, não temos sequer uma resposta clara sobre como foi feita esta articulação com o Ministério da Administração Interna”, criticou esta quinta-feira Francisco Calheiros, líder do grupo municipal da CDU na Assembleia Municipal do Porto.
No Largo Primeiro de Dezembro, à margem da entrega do abaixo-assinado, o eleito pela CDU lamentou que uma zona central da cidade fique “com um vazio” de policiamento e partilhou que o documento será ainda entregue à Câmara do Porto, na Assembleia da União de Freguesias de Centro Histórico do Porto e ao ministério da Administração Interna.
“O policiamento da proximidade só acontece com efetivos no local e a agir perto das populações (…), se nós dizemos que uma esquadra passa só a fazer um serviço dedicado ao turismo, isto [policiamento de proximidade] não está a ser cumprido”, criticou, lamentado ainda aquilo que considera ser uma “degradação do serviço público”.
No abaixo-assinado, a que a Lusa teve acesso, os signatários “manifestam o seu protesto e preocupação perante a decisão de retirar o atendimento público de proximidade da esquadra da PSP da Praça de Pedro Nunes” e exigem a manutenção deste serviço.
A 25 de março, o Comando Metropolitano do Porto da PSP admitiu que a 12.ª Esquadra, responsável pelo atendimento à população local, já não se encontrava nas instalações da Praça de Pedro Nunes, em Cedofeita, contrariando informações que havia dado à Lusa uma semana antes, mas referiu que o atendimento presencial para qualquer cidadão para questões urgentes era sempre assegurado, tendo em atenção as normais prioridades consoante a gravidade das situações.
A PSP confirmou que os agentes outrora afetos à 12.ª Esquadra “foram distribuídos por outras subunidades”, e disse que estavam a ser avaliadas “soluções que visem a reinstalação efetiva da 12.ª Esquadra”.
Até então funcionavam naquele espaço dois serviços da PSP: a 12.ª Esquadra, que fazia atendimento à população, e a esquadra de turismo, habilitada para contactos em língua estrangeira.
A 19 de março, apesar de o Comando Metropolitano o negar, no edifício estava unicamente aberta uma sala onde funciona a esquadra de turismo, constatou no local a Lusa e junto dos agentes de serviço, que especificaram que as pessoas que se estavam a dirigir às instalações para reportar algum furto estavam a ser encaminhadas para outras esquadras da PSP, sendo apenas atendidas as pessoas que não falam português.
A PSP explicou à Lusa que as instalações da esquadra de Cedofeita passaram a funcionar também como sede de divisão, uma vez que o imóvel onde esta funcionava anteriormente, no Edifício Rainha Santa Isabel, na freguesia do Bonfim, apresenta um acentuado estado de degradação e deixou de “reunir as condições mínimas de segurança, saúde e dignidade no trabalho”.
No final do mês de março, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou que a autarquia não tinha sido informada pela PSP do encerramento da 12.ª Esquadra em Cedofeita, mas reiterou que o atendimento à população está assegurado.
O atual presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, Nuno Cruz, ameaçou avaliar a cedência deste edifício à PSP.