Comissão do PRR recomenda aumento da frequência e intermodalidade do metrobus

Num relatório apresentado esta quinta-feira, a CNA-PRR recomenda que “seja monitorizada, de forma contínua, a operação da linha BRT.

Abril 30, 2026

A Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (CNA-PRR) recomendou que o metrobus do Porto tenha um “aumento efetivo de frequência”, bem como “plena integração” com a restante rede de transportes e “minimização de transbordos”.

Num relatório apresentado esta quinta-feira, a CNA-PRR recomenda que “seja monitorizada, de forma contínua, a operação da linha BRT [Bus Rapid Transit, vulgo metrobus), assegurando a integração dos novos autocarros e o aumento efetivo da frequência, com ajustamento da oferta à procura”.

O metrobus do Porto, um autocarro a hidrogénio que entrou em serviço comercial no dia 20 de abril entre a Casa da Música e a Praça do Império (com via dedicada na Avenida da Boavista e partilhada na Marechal Gomes da Costa), tem frequências de 10 minutos em hora de ponta e 15 fora e aos fins de semana, números abaixo do previsto aquando do anúncio do projeto (cinco minutos em hora de ponta).

Além disso, o horário de serviço é entre as 06:30 e as 22:00, antes da 01:00 a que fecha a rede do Metro do Porto.

No relatório a CNA-PRR refere que “as viagens de teste revelaram aceitação por parte da população, com uma média de seis mil viajantes diários”, mas “com uma duração dos percursos de mais 3/5 minutos em hora de ponta em relação ao tempo estimado”, de cerca de 12 minutos.

O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros, e a empreitada no terreno custou cerca de 76 milhões de euros.

Sobre o metrobus, recomenda também que “seja assegurada a plena integração do BRT com a restante rede, garantindo coerência territorial, simplicidade de utilização, inclusão na mobilidade e continuidade das ligações”.

Atualmente, na estação de metrobus Casa da Música, é necessário andar a pé algumas centenas de metros e atravessar a rua até chegar à estação do Metro do Porto, e no futuro, com a conclusão da segunda fase entre Pinheiro Manso e Anémona, esta estação ficará a 850 metros do metro em Matosinhos Sul, sem interface.

Assim, a CNA-PRR recomenda também que “seja realizada uma avaliação independente e contínua dos impactos da reorganização da rede, garantindo cobertura territorial adequada, minimização de transbordos e manutenção da qualidade do serviço”.

O relatório recomenda também que “sejam definidos e divulgados indicadores de desempenho do serviço, incluindo pontualidade, tempos de espera, fiabilidade e acessibilidade, garantindo transparência e foco no utilizador”.

Quanto à operação, assegurada pela Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), “implicou a alteração em seis linhas operadas anteriormente pela STCP, de forma a evitar sobreposições com o BRT e a reforçar a intermodalidade, criando alterações nas rotinas dos moradores de várias zonas ao longo da Av. da Boavista, novos polos de ligação e redistribuição da oferta”.

O relatório aponta que “formalmente o investimento está concluído” no metrobus do Porto, mas “persistem outros investimentos nesta linha, designadamente a segunda fase e a construção da estação de carregamento, que se estimam concluir até dezembro de 2026”.

A CNA-PRR recomenda ainda que “seja implementado um plano de aceleração das obras ainda por concluir, assegurando a estabilização do projeto de execução, o reforço de meios e a definição de metas intermédias com monitorização regular”.

A comissão de acompanhamento destaca ainda que o investimento “sofreu diferentes contratempos ao longo de período, desde a impugnação do concurso para a segunda fase, passando pela contestação pública sobre a construção de um canal dedicado junto ao parque da cidade, até à inexistência de canal segregado entre a Avenida Marechal Gomes da Costa e a Praça do Império”.

Além disso, a estrutura presidida por Pedro Dominguinhos dá ainda nota de “algumas fricções entre o Metro do Porto e a Câmara Municipal do Porto, relativamente ao andamento das obras e ocupação de algumas artérias”.

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