De acordo com um “email” enviado pela Câmara aos artesãos na sexta-feira, a que a Lusa teve acesso, “as licenças atualmente em vigor para a Feira Municipal de Artesanato terminam no próximo dia 30 de junho”.

A deslocalização da feira de artesanato do Cais de Gaia para o Jardim do Morro a partir do final de junho está a gerar contestação dos artesãos, que já contam com uma petição com mais de 1.100 assinaturas.
De acordo com um “email” enviado pela Câmara aos artesãos na sexta-feira, a que a Lusa teve acesso, “as licenças atualmente em vigor para a Feira Municipal de Artesanato terminam no próximo dia 30 de junho”.
O mesmo texto refere ainda que, por decisão do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes (eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL), “a referida feira será deslocalizada para a Avenida da República, junto ao Jardim do Morro, passando a dispor de 10 espaços de venda”.
Um edital da autarquia assinado pelo vereador António Barbosa (eleito pelo Chega que passou a independente e agora com pelouro das Feiras e Mercados no executivo), assinado também na sexta-feira, refere que o período de candidaturas se iniciou esta quarta-feira e vai até 11 de junho, com validade de três anos.
“Serão atribuídos 40 lugares de venda que serão divididos em quatro grupos, constituídos por 10 artesãos por cada grupo, cuja ocupação será organizada em regime semanal e rotativo”, pode ler-se no edital publicado no “site” da câmara.
A decisão está a ser contestada pelos artesãos, tendo já sido lançada uma petição pública que contava, pelas 15h00 desta quinta-feira, com mais de 1.100 assinaturas.
“A feira de artesanato de Gaia existe desde 2015 e é a fonte de rendimento de 40 famílias de artesãos e todos os trabalhadores contratados por esses artesãos”, pode ler-se no texto da petição patente no “site” Petição Pública, referindo também que “dependem desta feira diretamente cerca de 120 pessoas, sendo para a grande maioria a única fonte de rendimento”.
Nuno Pereira, um dos artesãos em causa, disse à Lusa que na nova localização “o período de exposição seria metade, seria reduzido de 15 dias para uma semana”, e no local atual, no Cais de Gaia, há “20 lugares disponíveis e muita visibilidade turística”.
“Ou seja, de sexta a quinta-feira estão 20. Na semana seguinte entram os outros 20 e vamos rodando assim ao longo do ano, semana sim, semana não, sempre com os 20 lugares ocupados a rodar pelos 40 artesãos”, explica, ao passo que no Jardim do Morro serão “10 lugares para os mesmos 40 artesãos”, o que corresponde “a uma semana por mês para cada artesão”.
Nuno Pereira contesta ainda a relocalização para o Jardim do Morro, especialmente caso esta seja para a zona sul (mais afastada da Ponte Luiz I), referindo que caso se fizesse “esta deslocação para o meio de Vila d”Este ou para uma sala dentro do município, o resultado era exatamente o mesmo”.
“No meu caso e na grande maioria dos casos os artesãos são empresas familiares. [Na minha] trabalho eu, a minha esposa, tenho um “part-time” [tempo parcial] em épocas altas, tenho um funcionário a tempo inteiro. Portanto, no meu caso, somos três a quatro pessoas, dependendo da época do ano”, descreveu à Lusa.
Nuno Pereira antecipa ainda que mesmo que os artesãos se candidatem ao concurso entretanto lançado, “ninguém vai fazer a feira naquele local porque vai perder dinheiro todos os dias”.
“A nossa luta não termina mesmo após o concurso. Nós, depois do concurso, continuaremos a lutar, avançaremos com manifestações em frente à Câmara até que esta decisão seja repensada e revertida”, disse à Lusa, aguardando ainda explicações do presidente da Câmara, pois não encontra “justificação para pôr sensivelmente 100 pessoas numa situação de desemprego, de desespero, com projetos criados, empresas criadas, investimentos feitos”.
A Lusa questionou a Câmara de Gaia sobre qual o motivo para a deslocalização da feira, de que forma poderá a Câmara abordar as preocupações dos artesãos ali envolvidos e se a autarquia manterá a sua decisão ou se admite alterações para acomodar as preocupações dos artesãos, mas fonte oficial da autarquia disse que não comenta o assunto.