Luísa Salgueiro pede reunião a Pinto Luz sobre problemas de mobilidade em Matosinhos

A presidente da Câmara de Matosinhos solicitou uma reunião ao ministro das Infraestruturas e Habitação sobre os “graves problemas de mobilidade”, nomeadamente a ligação a Leça da Palmeira, referindo ainda “os grandes projetos de reconversão urbana” em curso.

Julho 3, 2026

A presidente da Câmara de Matosinhos solicitou uma reunião ao ministro das Infraestruturas e Habitação sobre os “graves problemas de mobilidade”, nomeadamente a ligação a Leça da Palmeira, referindo ainda “os grandes projetos de reconversão urbana” em curso.

Numa carta a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, Luísa Salgueiro (PS) expõe a Miguel Pinto Luz (Governo PSD/CDS) “os graves problemas de mobilidade que afetam Matosinhos, especialmente no que diz respeito à ligação entre Matosinhos e Leça da Palmeira”, cuja ponte móvel está atualmente encerrada para obras.

Segundo a autarca socialista, “a comunidade local tem sido severamente prejudicada pela recorrente inoperacionalidade da ponte móvel, sob jurisdição da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL)”, empresa sob tutela do ministro, “e à saturação diária da [autoestrada] A28, que regista uma média de 96 mil veículos por dia”.

“O isolamento entre as duas freguesias agrava-se substancialmente durante os períodos de manutenção da ponte móvel, suspendendo por completo as ligações pedonais e cicláveis”, aponta a autarca matosinhense, falando numa ligação que é “uma necessidade estratégica já diagnosticada no Plano Diretor Municipal”.

Para Luísa Salgueiro, “o seu caráter urgente é hoje reforçado pelos grandes projetos de reconversão urbana em curso na região, nomeadamente na Exponor, Jomar, Tertir e na antiga refinaria de Matosinhos, e pelo desenvolvimento urbano da cidade”.

Na quinta-feira foi conhecido que a reconversão da antiga refinaria da Galp em Matosinhos num centro de inovação tem um impacto económico estimado de 65 mil milhões de euros, perspetivando-se a criação de 100 mil empregos, revelou a empresa.

A informação tem por base um estudo feito sobre os impactos do projeto da Galp para criar uma “nova área urbana com capacidade para 19 mil residentes, 30 mil estudantes universitários e um ecossistema integrado de inovação e ensino”, indicou a empresa numa nota de imprensa.

“Recorde-se que Leça da Palmeira tem, atualmente, mais de 18.500 habitantes e que, de acordo com o estudo da PwC [consultora que fez o trabalho para a Galp], a reconversão do local poderá acolher 19.000 residentes e 30.000 estudantes”, assinala Luísa Salgueira na missiva.

Assim, em causa poderá estar a duplicação da população de Leça da Palmeira.

Para a autarca, “face à dimensão metropolitana deste desafio, torna-se indispensável uma concertação institucional alargada”, pelo que solicita a intervenção do ministro para “ajudar a sua concretização e coordenar as diligências necessárias junto das entidades competentes, tais como o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a APDL e a Metro do Porto, e a concessionária da A28, a Norte Litoral”.

“O município de Matosinhos tem estudado várias soluções alternativas”, refere, enviando ao ministro um estudo preliminar para uma nova travessia de Leixões.

O estudo da PwC para a antiga refinaria aponta para um impacto estimado de 65 mil milhões euros no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, de 43 mil milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto (VAB) de Matosinhos em 30 anos e para mais de 100 mil postos de trabalho criados em Portugal (65 mil no concelho).

A mobilidade é “identificada como um fator crítico para o sucesso do projeto”.

“O equilíbrio entre residentes, estudantes e emprego viabiliza soluções de transporte público de maior capacidade em toda a região, incluindo novas ligações de metro e sistemas de transporte coletivo dedicados, bem como a promoção da mobilidade ativa e sustentável”, sublinha.

O estudo foi desenvolvido pela PwC, com a participação do CITTA — Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, da OPT — Optimização e Planeamento de Transportes, S.A., da ImoEconometrics e do economista Ricardo Reis, professor da London School of Economics.

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