PCP lembra que problemas no Metro do Porto são anteriores ao calor e quer gestão pública

À Lusa, a Metro do Porto diz estar “ciente das falhas verificadas no sistema de ar condicionado.

Julho 3, 2026

A Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP lembrou esta sexta-feira que os problemas de funcionamento do Metro do Porto “são muito anteriores” aos associados ao calor nas carruagens, pedindo uma gestão pública da operação atualmente concessionada.

“É certo que as temperaturas registadas nos últimos dias são particularmente elevadas. Mas os problemas de funcionamento do Metro do Porto são muito anteriores a este episódio. Há muito que se acumulam queixas de utentes em dias de maior calor, seja porque os sistemas de ar condicionado não funcionam devidamente, seja porque se revelam incapazes de garantir condições aceitáveis em composições frequentemente sobrelotadas”, refere a DORP do PCP em comunicado enviado às redações.

O PCP observa ainda que ao mesmo tempo que várias composições foram retiradas de circulação devido a falhas no ar condicionado, “a informação pública, institucional e atempada aos passageiros continua manifestamente insuficiente, revelando uma preocupante desconsideração por quem depende diariamente deste meio de transporte”.

Os comunistas apontam a um “quadro mais vasto de degradação da qualidade, da segurança, da fiabilidade e do conforto do serviço”, elencando seis casos de falhas do sistema desde 2020, entre os quais problemas nos patins eletromagnéticos, problemas na catenária, avarias técnicas, falhas no sistema de sinalização e quebra de um pantógrafo de um veículo.

“Estes episódios não podem ser tratados como casos isolados. Revelam problemas acumulados de manutenção, de investimento, de resposta operacional e de planeamento, com impacto directo na vida dos trabalhadores, estudantes, reformados e demais utentes que todos os dias dependem do Metro do Porto”, aponta o PCP.

Lembrando que “a operação e a manutenção do sistema Metro do Porto estão concessionadas à ViaPorto, uma empresa do Grupo Barraqueiro, através de um contrato de subconcessão que vigora até março de 2027”, o PCP considera que o caminho da concessão a privados é “contrário ao interesse público” e “não serve a região”, devendo estar “em mãos públicas”.

“Não se entende que a parte mais significativa do investimento — a infraestrutura, a expansão da rede e a aquisição de material circulante — seja feita pelo Estado, para, depois, a operação e os seus lucros serem entregues a privados, que — para lá de estarem a permitir a degradação do serviço prestado — se servem do investimento público, tirando proveitos que poderiam e deveriam ser públicos e canalizados para o desenvolvimento do projeto e o financiamento de novas linhas”, argumentam.

Assim, para o PCP, “o fim da actual subconcessão deve ser aproveitado para pôr termo à entrega da operação a privados e garantir uma gestão pública do Metro do Porto”, que “assegure melhores condições de segurança e conforto, reforce a oferta, garanta manutenção adequada, responda às necessidades dos utentes e permita planear o desenvolvimento da rede numa visão integrada da mobilidade regional, envolvendo o Governo, a Área Metropolitana do Porto e as autarquias”.

Passageiros frequentes e ocasionais do Metro do Porto voltaram a ser atormentados pelo calor excessivo no interior das carruagens no verão, já que o ar condicionado não cumpre o seu propósito, tendo a transportadora lamentado o desconforto causado.

À Lusa, a Metro do Porto diz estar “ciente das falhas verificadas no sistema de ar condicionado de algumas das composições Eurotram (ET) e lamenta o desconforto que estas situações têm causado aos seus clientes”, mas não respondeu sobre a assunção de responsabilidades no caso de haver algum problema de saúde dos seus passageiros.

“As especificidades dos ET, decorrentes sobretudo da sua antiguidade e da dimensão das suas áreas envidraçadas, impedem a completa resolução das anomalias nos seus ar condicionados”, segundo a Metro, admitindo que em casos de maior calor “o sistema de refrigeração pode atingir o seu limite de capacidade”.

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